Platonismo.

Da desventura do acaso
em que coloquei os olhos sobre você,
surge, implícito
o não-sei-o-quê…

Num ínfimo instante,
Duas vidas inteiras
E no teu belo semblante
A armadilha certeira.

Mal sabe de mim
e do encanto presente.
E cá dentro, estopim,
Que por fora se mente.

Faz de mim utopista
a sonhar com um “talvez”.
Eu, sempre tão realista,
Sou a trovista da vez.

E ainda é tão cedo
Que parece tão tarde
E quando nasce o medo
É que morre a vontade.

E se soubesse?
Quem sou e o que trago.
E se quisesse?
O que também quero e aguardo.

Seria epopéia, exímio!
Mas você me olha e não me vê.
Não sabe o que não exprimo.
Me lê e nem sonha que é de você.

E eu quis te conhecer,
Quis te mostrar…
Mas sei reconhecer,
só me cabe o “não dá”.

Vou-me embora, vou me poupar
Da futura queda, da vã espera.
Me perdeu sem me encontrar.
Que pena, só outra quimera…

……………………………………………………………………………………………………………………..………………

Pequena intertextualidade com a música Janta, de Marcelo Camelo (que eu amo, por sinal!)
Poeminha, pra fugir da cara de “auto-ajuda” que estava o blog. Sempre quis escrever sobre platonismo, afinal eu sempre me apaixono platonicamente e é sempre a pessoa errada.

Auto-explicativo, né?

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7 respostas para Platonismo.

  1. Fernando Goy disse:

    Aeeee poema decente, finalmente! (sim, foi pra rimar xD)

    Não entendo esses amores platônicos… não faz sentido pra mim ser uma coisa que não eh sendo o que é sem ser o que não pode ser… e pior, eh que as pessoas gostam disso sendo que eh sofrível… nom fass centydo!

  2. Erica Gaião disse:

    Aline!

    Às vezes esses amores platônicos atravessam os nossos instantes e ficam uma existência inteira. Porque quando o encontro é bom, o desejo de ficar permanece inalterado. Mas não tem jeito, com a tempo a gente a prende que o melhor do amor é a presença verdadeira e a reciprocidade…

    Lindo!

    Ando ausente, eu sei, mas sempre venho.

    Beijos, minha querida amiga

  3. Vanessa Cony disse:

    Aline!Que surpresa boa te encontrar por lá.Sou tão desligada que não imaginei que se tratava da mesma querida Aline…
    Oh menina,que projeto lindo!
    Sou dentista,não sei se já sabia e essa coisa de sorrir,mexe comigo.rsrsrs
    Parabéns.Isso mostra o que de belo carrega aí dentro do teu coração.Doar amor e carinho,levando sorrisos ,é realmente para os de coração livre.
    Quanto ao texto…Sou suspeita.Falar de amor é sempre bom,mas realmente ,bom mesmo e dar as mãos…
    Tomara que aguém especial cruze o seu caminho e te olhe e te veja.
    Não seja talvez e sim certeza.
    Que sonhe junto contigo,com sua alma e seu coração.
    Beijo grande demais.

  4. Marinha disse:

    Aline querida, que texto cheio de sensações! Lindo isso, menina!
    Amor platônico? Quem já não viveu esse sentimento de mão única sem revesses, sem emendas, mas, que de alguma maneira, enche o peito e aquece a vida… mesmo que por poucos momentos?
    Bjo, querida muito querida.

  5. Vanessa Cony disse:

    Vim te trazer um carinho e desejar um fim de semana bemmmmm gostoso.
    beijo no coração.

  6. Marinha disse:

    Querida muito querida, o Construtora de Palavras está de aniversário e tem uma mensagem aos amigos por lá.
    Se puder, gostaria de dividir uma fatia do bolo contigo. 🙂
    Bjo, Aline.

  7. Nina disse:

    amor platonico é como não ser, não estar, não existir.

    bjos

    e um lindo final de semana pra ti

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