Vida pós-moderna.

Eu achava que odiava sociologia e psicologia social, mas ambas têm me acrescentado tanto que resolvi dar uma chance… Eu que sempre me achei demasiadamente individualista, sempre tive repúdio à sociedade e aos valores sociais, de fato ainda há coisas que repudio, mas agora posso ver o quanto tudo isso influencia diretamente cada um de nós, queira ou não.
Já faz uns dias, venho pensando sobre o contexto histórico-social com o qual interagimos ultimamente, no quanto os fatores externos dominam o comportamento do sujeito e sua visão de mundo. As pessoas não são livres e pensam que o são!
A maioria vive no disfarce coletivo do “estamos bem e felizes!” quando não sabem de verdade o que é que as fazem felizes, embutem esse significado no trabalho compulsivo, no estudo desmedido, e diversas outras obrigações encaradas como um falso lazer que gera stress, depressão, tédio. Valores morais e éticos também aparecem distorcidos na sociedade atual, o pós-modernismo é regido pela ânsia do prazer a qualquer custo, o hedonismo é a palavra da vez!
As pessoas não só querem se divertir e gozar a vida inconseqüentemente, trabalhar demasiadamente para ter dinheiro e status, como se sentem na obrigação de fazê-lo! E esse é o ponto forte da questão, a sociedade pós-moderna, apesar da busca do prazer imediato, não está regida pelo Id, ou princípio do prazer, mas sim pelo Superego, ou seja, a consciência moral da sociedade defende essa busca desmedida no lugar de puní-la! As pessoas criam justificativas morais para seus atos perversos e imorais, é a era do “tudo deve” e “tudo pode” não importa o seu próprio limite nem o limite dos outros. Existe um dever, uma obrigação, uma ordem invisível a se cumprir de que você deve ser aparentemente feliz e vencedor, esse é o Superego pós-moderno ditando vidas.
As pessoas se sentem no dever de ter prestígio social, de gastar o que não tem, de seguir uma religião assiduamente, de ter uma vida sexual ativa só porque o mundo insinua que todo mundo tem, de ser admirado e desejado, de ter e ser tudo o que parece inerente a todos, e sentem prazer com isso! Agora eu pergunto: quem é livre? São todos escravos da sociedade, que manda e desmanda até na sua chamada felicidade.
Além disso, esse admirável mundo novo também traz a efemeridade e a descartabilidade como marcas registradas, ao começar pelo Mercado, onde tudo é produzido para não durar, até chegar aos relacionamentos. Homens e mulheres pós-modernos não têm a perspectiva de progresso e futuro da modernidade, e sim uma perspectiva de obsolescência instantânea, há o enfoque no presente, e o restante é incerteza. Até mesmo o casamento é visto com um caráter festivo e comemorativo, sendo o resto apenas um contrato onde as conseqüências de uma possível separação devem estar bem claras.
Há a busca incessante pelo prazer, mas não se sabe ao certo qual a face do que se busca, então as pessoas seguem experimentando, tentando, testando, buscando viver de modo a favorecer todas as sensações boas, já que não se sabe qual o ponto final dessa grande nave. A incerteza e a nebulosidade do futuro, da direção a que segue a humanidade, ao contrario do discurso Moderno onde o caminho do progresso levaria à felicidade, dá ao pós-modernismo uma atmosfera tediosa, vazia, de um completo nada…
Não defendo o modernismo e nem repudio a idéia do pós-modernismo, mas é verdade que a falta de perspectiva na vida das pessoas, a falta da segurança de um futuro certo, forma uma sociedade charlatã, que vive num enorme simulacro e nega as próprias verdades, ou nem as vê. Não cabe a uma nova visão ou designação de mundo mudar essa verdade sombria, pelo contrário, uma nova visão de mundo só surgirá quando cada um enxergar sua própria condição e se dispor a agir sobre isso, quando quiserem e aceitarem uma vida que talvez venha sendo negada e substituída por uma vida que parece ser mais cômoda e mais aceita.
Só atravessaremos a pós-modernidade e sua densa névoa quando encontrarmos respostas à pergunta do filósofo: “O que é que estamos fazendo de nossas vidas?”.

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Estudar para a prova de Sociologia me inspirou muito, fui lendo os textos e destacando pontos importantes para esse post. Créditos para a professora, porque a maioria dos textos eram dela. Enfim, achei interessante estudar o modernismo e o pós-modernismo, porque explicou muitas coisas que eu vinha me questionando e também confirmou muitas coisas que eu vinha observando e analisando, o resultado é esse aí!

Ah, eu atualizei o about me do blog, ali naquela partezinha embaixo do banner intitulado “A autora”, fazia tempo que estava desatualizado, quem tiver coragem e curiosidade, dá uma lida e se quiser comente lá o que achou!
Por hoje é só! 

 

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2 respostas para Vida pós-moderna.

  1. Erica Gaião disse:

    Aline!

    Que bom ler um post seu… Não é fácil compreender alguns comportamentos sociais, sobretudo, quanto aos conceitos, a forma e a sua aplicabilidade na vida prática. Não é fácil, também, abstrair-se e perceber-se fazendo parte disso. Ter que conviver com conceitos e valores que contradizem o nosso entendimento acerca das coisas todas é, no mínimo, ultrajante. Pelo menos para mim! E acho, também, que é por isso que as pessoas adoecem: Não é fácil responder aos apelos do mundo moderno; vestir a roupa certa da aceitação, sem ao menos perder parte significativa de si mesmo. É aí que reside o conflito. Há sim uma inversão de valores e eu concordo com você. Hoje, o mundo inteiro vive entre a crueldade e a redenção; o medo e a coragem; o prazer e a culpa. Por outro lado, a modernidade trouxe muitos avanços, sobretudo, no que tange às novas tecnologias aliadas à medicina. Não há avanço sem algumas perdas. Assim como não há nada na vida que exista plenamente sem um efeito contrário em algum ponto.

    Ótimo post!

    Beijos, querida!

  2. Marinha disse:

    Aline, teu post é completo! Desafias a teus leitores, menina! Questionas o inquestionável!
    Afinal, o que buscamos cegamente é a felicidade em sua essência ou a imitação de quem julgamos felizes e realizados? Olhar para dentro, questionar nossos valores não é tarefa fácil e requer vontade, disciplina e coragem. Disso entendo, relativamente, bem, pois vivo incursionando dentro de mim. rsrsrsrs
    É sempre muito bom passar aqui e refletir contigo, Aline!
    Bjo e dias de paz.

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