Perdão.

s. m.
1. Remissão de culpa, dívida ou pena. = desculpa

2. Absolvição, indulto.
3. Benevolência, indulgência.
interj.
4. Fórmula que exprime um pedido de desculpas.

Parece simples, mas será que é apenas isso?
Durante toda a minha vida, o mundo me mostrou uma idéia de perdão que se vinculava ao pedido de desculpas, ao esquecimento… Mas perdoar é esquecer? Perdoar é, pura e simplesmente, desculpar-se? Retratar-se?
A verdade é que as pessoas relacionam o perdão com o outro, e o perdão pouco tem a ver com o outro, o perdão está ligado essencialmente a nós mesmos, ainda que possa ter heranças do outro. Isso porque perdoar não é concordar com a atitude do outro, não é esquecer a atitude do outro, não é ser conivente, perdoar é uma atitude libertadora! É aceitar que as pessoas erram, intencionalmente ou não. E isso depende de nós, não do outro, porque a mágoa nasce em nós, ela provém de nós, nós é que a permitimos, o outro não a implantou ali.
Perdoar vai além do discurso beatífico, além das crenças e valores religiosos, é um recurso psicológico e social, sem o qual as relações humanas não seriam possíveis. Perdoar é necessário!
A mágoa surge da não aceitação, da não compreensão da atitude do outro, a mágoa surge da intolerância, do egoísmo, da falta de sensibilidade para colocar-se no lugar do outro. Muitas vezes, uma atitude que repudiamos e que nos magoa, para o outro, não passa de um ato comum… Ou então, essa talvez fosse a única maneira que ele tinha de agir naquele momento! Somos diferentes e temos pontos de vista diferentes, condições diferentes. Sair da zona de conforto para explorar as condições que levaram o outro a agir de tal forma é o primeiro passo para o perdão.
Perceba que isso não significa concordar ou pactuar, significa apenas compreender e aceitar o que não temos o direito de modificar. Sem esse esforço as pessoas jamais poderão relacionar-se por muito tempo, o dia todo perdoamos atitudes alheias, e perdoamos também nossas próprias atitudes, a todo instante somos forçados a compreender e aceitar atitudes que julgamos erradas para que possamos continuar ao lado de quem queremos bem.
Sem o perdão, a humanidade pára, estanca, petrifica-se. “O perdão é uma necessidade absoluta para a continuidade da existência humana“, escreveu um bispo africano.
Acontece que, às vezes, a mágoa é tamanha que não há espaço para a compreensão, para a compaixão… Tornamo-nos demasiadamente amargos para aceitar. Enxergamos o perdão como fraqueza.
É então que nasce o rancor, a raiva, e tantos outros sentimentos destrutivos que criamos dentro de nós, como parasitas se alimentando de nossa força vital, levando-nos, muitas vezes, a patologia. Estudos recentes mostram que o rancor e a raiva acumulados podem estar relacionados a diversos tipos de doença, como hipertensão, infarto, dores musculares, depressão e até câncer, a própria medicina não recomenda viver amargurado, com rancor ou raiva contidos.
Por isso o perdão, tanto para quem toma a iniciativa quanto para quem o concede, é uma forma de minimizar o sofrimento psicológico e físico. Faz bem à saúde, traz paz, harmonia, bem estar!
Não significa esquecer, não significa sequer ter de conviver com quem ou o que o magoou, significa apenas libertar o coração da mágoa, lembrar sem rancor, é aceitar o que passou sem revolta. É um ato misericordioso, que tem o poder de libertar almas, de trazer de volta a leveza do espírito.
Perdoe e seja perdoado, não por vaidade ou superioridade, mas por sinceridade, por benevolência, que seja sempre com o coração! Compreenda o outro, não o condene, aceite-o, ele não pensa nem vive como você, seja compassivo, seja humilde, todos erram e você um dia precisará ser perdoado por alguém. Perdoe-se também, não se auto-flagele, não se auto-mutile, aceite-se! Perdoe! Quantas vezes forem necessárias! Por mais doloroso e difícil que possa parecer! Perdoe! 70 vezes 7.
Sempre valerá a pena…

“O sândalo perfuma o machado que o feriu.” Renato Russo.

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Ninguém precisa concordar comigo ou seguir o que digo.  Isso aqui não é auto-ajuda nem aconselhamento, isso tudo são só registros de concepções minhas, provém de mim e da minha vivência.

“Eu escrevo para nada e para ninguém. Se alguém me ler será por conta própria e auto-risco.” Clarice Lispector.

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2 respostas para Perdão.

  1. Erica Gaião disse:

    Aline, meu anjo!

    Concordo com você apesar de reconhecer que dentro das nossas fraquezas está a dificuldade em aceitar as fraquezas alheias. Por isso julgamos… Julgamos a partir do nosso próprio entendimento. E não é fácil aceitar com benevolência comportamentos que contradizem as nossas certezas. Não é fácil aceitar que façam com a gente aquilo que não faríamos de jeito nenhum com o outro. E por isso mesmo adoecemos, porque algumas circunstâncias pesam sobre os nossos sentimentos e a alma dói. E dói uma dor inteira; dói de um jeito que dificulta a travessia dos nossos próprios desertos. Eu ainda estou tentando atravessar; e perdi a conta das mágoas que depositaram em mim – ou das mágoas que eu permiti que depositassem. Porque a gente permite, mesmo sem querer. Também não gosto de contabilizar aquilo que ofereço ao outro. Oferecer algo a alguém é uma decisão que cabe a mim, e a mais ninguém. E nem sempre o outro está preparado para receber, mas a gente só compreende depois. Já perdoei tantas vezes e fui perdoada outras tantas… E penso que a vida é isso: troca. Se ofereço coisas boas, recebo outras tantas melhores ainda, como uma corrente. O pai da minha filha uma vez me disse que eu tenho essa capacidade rara de perdoar; perdoar a mesma pessoa incontáveis vezes. Mal sabe ele que eu sou egoísta ao extremo: Não perdoo por bondade. Não! Perdoo porque não gosto de sobrecarregar a minha alma com aquilo que não serve para nada, e aquilo que não serve nem para reciclagem, é lixo! Sinto raiva, mágoa, decepção, penso coisas ruins, como qualquer outra pessoa, e também me perdoo por isso. E sinto tudo ao extremo, mas perdoo porque, apesar de me desentender de mim mesma algumas vezes, ainda assim, eu muito gosto de mim. E você tem toda razão: “Por mais doloroso e difícil que possa parecer! Perdoe! 70 vezes 7”. Digo mais: Perdoe você e os outros!

    AMEI esse post. Aliás os dois últimos posts estão bem fundamentados e consistentes, o que sugere uma maturidade e uma harmonia entre a escrita e a escolha profissional. Tem um quê de coluna em jornal de domingo (rsss), que eu gosto à beça.

    Uma ótima semana para você…

    Beijos, querida!

  2. Vanessa Cony disse:

    Aline.O perdão é relmente libertador…
    Penso que perdoar é mais importante do que receber o perdão.Remoer mágoas e ressentimentos envenena a alma.Viver esse envenenamento destrói o ser.
    Sendo assim deve ser uma escolha.Nem sempre fácil,afinal somos humanos,mas perfeitamente possível.Não costumo acreditar no impossível…
    Seja como for,o primeiro passo é aceitar o perdão como uma possibilidade real em meio ao caos que muitas vezes a vida nos impôe.
    Beijo querida.

    É nítido seu amadurecimento.A faculdade stá sendo muito valiosa,não é mesmo?

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