Tempo ao tempo?

Se tem uma coisa que eu -definitivamente- não gosto de fazer, é esperar. Não sei lidar com aquela agonia de não poder fazer nada, não sei ser conivente com o tempo, não acho que ele sempre saiba o que fazer.
Talvez seja ansiedade, talvez seja essa mania vanguardista de querer estar sempre um passo a frente, de querer pra ontem! Eu não sei, mas há em mim uma urgência tão grande que eu chego a não entender o que significa “dar tempo ao tempo”. E nem sei se quero descobrir…
Porque, pensemos, nós nem temos tanto tempo assim! Eu não sei quantas horas, meses ou anos as pessoas acham que tanto têm disponíveis para “dar ao tempo” dessa forma. Acho um desperdício, pra falar a verdade.
E aquela história de que o tempo cura é uma infâmia sem tamanho! Desde quando o tempo, sozinho, fez alguma coisa além de envelhecer? Eu não quero deixar que meus sonhos envelheçam, que meus desejos caduquem! Não vou permitir que minhas metas prescrevam, que minhas vontades percam a validade! Não quero dar meu tempo ao tempo! Quero viver tudo o que há pra se viver, agora! Já! Até o último milésimo de segundo.
O conselho deveria ser: aproveite enquanto há tempo. E nunca sabemos o quanto desse tempo nos pertence.
Minha alma anseia! É urgente demais!
Peça que eu esqueça, que eu siga, que eu vá, que eu volte, me leve contigo, mas não me faça esperar. Não me faça suportar essa tortura.
Esperar é como pausar a vida para ver depois, é ficar ali olhando a tela estática esperando que o outro volte do banheiro para dar o play. Dar tempo ao tempo é como vender dinheiro, por menos do que se tem. É insano.
Esperar que o tempo resolva qualquer coisa sequer, é mitológico demais! É apoiar os ideais em meio ao vão… Qualquer coisa que ultrapasse o presente, é incerteza.
Não sei esperar, não posso guardar o tempo pra depois, se o hoje está bem aqui. O presente está em nossas mãos, por que não abri-lo?
Meu coração tem pressa!

……………………………………………………………………………………………………………………..……………….

Texto antigo, quase póstumo… Escrito antes de muitas coisas mudarem e morrerem. Mas eu gostei, lembrei dele hoje e, relendo, me dei conta do quanto realmente detesto esperar! Sou de natureza ativa, gosto de fazer, não de esperar acontecer…
Enfim, achei que valia publicar!
Queria poder escrever sobre tantas coisas agora, tantos sentimentos novos, mas ainda estou em tempos de seca poética, escassez de palavras (como diz minha querida Érica, de seu Universo Particular )… Entretando, faz parte do show!

 

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4 respostas para Tempo ao tempo?

  1. Aline, meu anjo!
    Que bom ler um texto seu! Estava sentindo saudades…
    Adorei seu comentário, viu? Assim como adorei o seu texto… E dessa vez falamos sobre o mesmo tema, usando um ponto de vista diferente! Acho isso ótimo! Isso é Filosofia pura! É o que chamo de dança das idéias. Mas eu concordo quando você diz que não quer ser conivente com o tempo. Eu também não! Parece contraditório, mas eu detesto esperar, sou ansiosa demais – tenho sempre a sensação de que meu coração sairá pela boca – e tenho urgências imensas. Sobretudo, tenho urgência em ser feliz! E não gosto de esperar que as coisas se resolvam por si só; quero tocá-las com tudo aquilo que há em mim e fazer acontecer o agora. Mas a vida na sua estranheza toda nos convida, algumas vezes, a compactuar com o tempo; e foi sobre isso que escrevi. Sobre quando isso acontece. Das coisas que existem em si e escapam do nosso controle. Eu já me vi em situações que julgava inimagináveis e impossíveis de se reverter. Fui lá, toquei, tentei resolver hoje, agora, e nada! Mexia e remexia, e nada! Sabe o que fiz? Cansei, sentei, respirei fundo e aguardei… Depois de algum tempo, as coisas se resolveram de um jeito que até hoje não consigo entender “como”. Desse jeito! Assim como acontece quando entramos naquele período de escassez poética (Que você citou e fiquei feliz por isso), quando as palavras – que têm livre percurso – saem para passear e nos deixam aqui, perdidas entre um verso e outro, sem encontrar um enredo? Lembra que eu já te disse isso inúmeras vezes? O que a gente faz? Espera o tempo certo delas… Pois é? Bem assim…
    E não pense que tenho uma visão tão romântica das coisas; da vida; não! Sou muito pessimista para isso (Rsss) e dramática demais, também. Gosto do que existe em si; de fato; daquilo que acontece de verdade.
    Nossa! Escrevi à beça! Quase uma carta.
    Beijos, querida! E muita inspiração para você!!!
    Keka

  2. Fernando disse:

    No começo juro que me veio à cabeça: “Se tem uma coisa que eu não admito, é gritar comigo…”(Kelly Key)

    Dessa vez concordo com todas as palavras. Mesmo não sendo ativo, acho que esperar é um *. Aproveitar o tempo fazendo absolutamente nada é uma coisa, agora ficar esperando como se não tivesse nada melhor pra fazer, por conta de outras pessoas ainda, aí sim é horrível.

    E seguindo o assunto em pauta, essa história “deixar o tempo resolver” é uma ilusão que muitos relacionam erroneamente com processos que fazem parte do tempo mas não dependentes necessariamente e tão pouco notados. As coisas acontecem, muitas coisas, as quais o ser humano não vê, não percebe, não se importa. Essas coisas mudam as situações e, as vezes independentemente de suas ações, as coisas se ajeitam ou se resolvem e parece q foi o tempo, ou que o fato de sentar e esperar é uma atuação válida pra qualquer situação.
    Na realidade cada situação possui suas características exigindo que sejam analisadas as necessidades de se esperar ou não para que fatores independentes das suas ações ocorram. Como esperar que o sol nasça para que você consiga ler um livro. Dá pra ler sem sol? Dá! Precisa esperar? Não… mas se você se organizar e fizer outra coisa enquanto isso, vc aproveita as facilidades da vida neh ^^

  3. Vanessa Cony disse:

    Aline! Quanto tempo,heim?
    Obrigada por suas doces palavras.
    Acho que essa sua ansiedade é coisa da idade…Com o tempo a gente aprende que ele tem a força de um tsunami…
    Não dá para lutar contra ele.Depois de um tempo a gente descobre que o melhor é entender…
    Com o tempo você aprende e sente que ele acaba por resolver o que o nosso coração aflito espera acontecer.
    Beijo lindinha.

  4. Marinha disse:

    Aline, teu texto é prosa poética pura; é reflexão; é definição. Amei o que li, menina!
    Bjo e paz e sorrisos nos teus dias.

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