Fênix.

Cinzas.
Tudo o que restou. Dela, de tudo o que era.
A auto-combustão parecia ocorrer desde um tempo imemorial, mas chegara ao fim.
Dor, já não sentia mais. A morte, de tempos em tempos, ocorria dentro dela e já fazia parte da vida. Perdera a conta de quantas vezes morrera em seus próprios braços, velada pelos olhos atentos de si mesma.
Mas essa, certamente, fora a morte mais longa e agonizante. A golpes cruciais contra seu próprio eu, golpes de porquês sem respostas. O fogo da vida –ou da morte- a consumiu lentamente por dentro, com o alvoroço suave da fome saciada lentamente, saboreada. As chamas saborearam-na. Devoraram tudo o que jazia dentro daquela alma, tão devagar quanto a dor foi capaz de demonstrar. Dor essa que, com o tempo, se tornou incapaz de incomodá-la, como o canto dos pássaros que não mais se ouve sem que dê a eles atenção.
Mas o fim traz sempre o mesmo sabor curioso de mistério, um mistério libertador. Um mistério que a permitia moldar a realidade a seu favor, por isso aceitou a morte. Era preciso remoldar, mudar, se libertar. Mais uma vez.
Renascer.
Fazer das cinzas coração é seu próximo passo agora. A fênix que, ao fim de cada ciclo, se desfaz em chamas, renasce das cinzas. E o renascer -descobriu ela- é que era a parte dolorosa. A morte é o misterioso alívio; renascer é o curioso martírio e viver dói.
Viver exige dor e sofrimento, no entanto, sofrer é necessário. E inevitável.
Aceitou também o renascer, uma vez mais. E que mais um ciclo chegara ao fim (aceitar isso é imprescindível).
Já não havia mais as cinzas do que era, do que fora. Agora, havia ali cinzas do que seria, do que se tornaria; apenas o princípio de outro fim, o renascer de outra morte. Ou, se preferir, o início de outro ciclo.
A fênix estava pronta para recomeçar, de novo e de novo. Reconstruir o que é, ou o que seria; reconstruir suas asas e levantar vôo outra vez. Deixando para trás o passado que passara; a vida que morrera.
Todo recomeço exige um fim.

…………………………………………………………………………………………………………………………………

Finalmente consegui dar a luz ao texto que estava em gestação há dias! Sim, ele tem muito significado particular. E é assim que me sinto, uma fênix. Prestes a renascer.
Feliz vida nova!

E feliz ano novo a cada um que lê minhas palavras – em silêncio ou não.

 

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4 respostas para Fênix.

  1. poetriz disse:

    Que 2011 nos venha melhor que 2010!

    Lindo texto, a fênix tem um significado muito particular também pra mim.

    Bjs!

  2. Vanessa Cony disse:

    Aline,muito obrigada palo carinho de suas palavras.Sabe,acho que essa identificação que acabamos descobrindo acontece justo pelo mais belo dos sentimentos…
    Fico feliz por sua renovação!É,assim segue a vida.Mas não se surpreenda com as voltas e reviravoltas que ela é capaz de nos dar.Tenho uma opnião formada sobre aquele que fez com que tudo isso acontecesse dentro de vc…Quanto a fênix,escrevi tb lá no perfil do orkut:¨Descobri que a águia enfrenta as tempestades,voa contra o vento e atinge o céu azul…Voa por sobre as nuvens pelo Poder do Amor de DEUS.
    É assim que quero ser…¨
    Que em 2011 possamos voar o mais alto,sobrevoar as nuvens e vencer!
    Beijo minha querida.Parabéns pela sua bela sensibilidade.

  3. Querida Aline,

    A possibilidade de um novo recomeço sempre renova a esperança. E às vezes o renascimento ajuda a clarear a visão dos acontecimentos. Que você realmente consiga atravessar o caminho. Que você realmente consiga encontrar amor verdadeiro no final! E que 2011 seja um ano Maravilhoso para você! Um ano de novas oportunidades!

    Quanto ao seu texto, como sempre, muiiiiito bom! Expõe a verdade de um sentimento; além de muito bem redigido, é claro! Você realmente tem talento… E eu adoro vir aqui!

    Às vezes somos traídos pela falta de inspiração, mas acho que isso acontece com todo mundo. Recolher-se ao silêncio é bom para entender e transformar os sentimentos em palavras.

    Obrigada pelo seu enorme carinho e pelas doces visitas! Embora sejamos separados pela distância, as palavras nos une.

    Bjs.

    Erica

  4. Fernando disse:

    Ah vah, esses puta comentários e vc vem reclamar que EU num comento. Então agora vou comentar! Eu não gosto da Fênix, porque todo mundo é nhenhenhé com ela, só porque ela supostamente renasce das cinzas. Como se renascer das cinzas (como simbolismo) fosse algo tão primoroso. Primeiro que, se você virou cinzas é porque você fracassou. Segundo que o mínimo que se espera de alguém nessa situação é que ela retorne com força renovada para passar por cima de tudo o que a derrubou, caso contrário ela não passa de merda e merece ficar nas cinzas mesmo. Então esse simbolismo de renascença como algo sublime ou que demonstre força além do normal, de forma a valorizar alguém se recuperando de um fracasso, é na verdade aquilo que esse alguém tem que fazer pra mostrar que vale alguma coisa, no mínimo.

    Eu sei que soa como se eu menosprezasse seus sentimentos e diminuísse sua situação, por isso eu não queria comentar, mas já que vc quis saber xP

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