Felicidade inventada.

Acordou de repente com grande urgência de ser feliz. Sentiu, finalmente, que era preciso desistir da recusa. Porque há a recusa, há quem recuse a felicidade, e insistir nestes é também recusá-la.
Ela amanheceu querendo, então, a própria felicidade, já que a dos outros não poderia depender dela. Encontrou, em algum lugar íntimo, um secreto estímulo para sorrir, e sorriu. Eram tantas as pequenas coisas que podiam fazê-la sorrir quando não estava buscando um motivo para tal.
Ela se deu conta, repentinamente, que a busca vinha sendo sua maneira mais sutil de perda. Perdia tantos preciosos detalhes enquanto buscava um não-sei-o-quê sempre tão distante.
Buscava como quem recusa o que está a seu dispor. Buscava como se houvesse o que buscar, recusando o que já era seu. Ela acordou com a consciência de si mesma, e de sua imaginação. Lembrou, de repente, que possuía aquele bem tão precioso. O que mais poderia querer?
Inventou sua própria felicidade. Largou de mão as tentativas frustradas, a insistência velha e gasta em uma felicidade consumida, tantas vezes recusada e descartada. Despertou para dentro de si.
Naquela manhã quando levantou, ela olhou para a chuva caindo pela janela e seu coração estremeceu. Compreendeu que não precisava de nenhum motivo para ser feliz, que a felicidade não estaria nas coisas ou nas pessoas, nem em nenhum bem externo, a felicidade está dentro dela, a seu dispor, a qualquer lugar e a qualquer momento. Ser feliz poderia significar tantas coisas para alguém com o mínimo de imaginação e boa vontade…
Ser feliz era tão simples e prático, a infelicidade é que era difícil e complicada. Preferia a primeira opção, escolheu – a partir daquela manhã, ela seria feliz!
Felicidade dependeria tão somente dela, sem que precisasse buscar, já que ela está sempre ao alcance quando se está perto de si mesmo.

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Influência inegável de Clarice Lispector.

Sabe, às vezes a gente busca tanto ser feliz, que esquece que a felicidade nunca esteve fora, mas dentro.
E às vezes queremos tanto fazer alguém feliz e esquecemos que a felicidade do outro também está dentro dele, e fazê-lo encontrá-la não depende da gente. É preciso querer encontrá-la, e nem todos querem. Existe quem tenha medo, existe quem não tenha sensibilidade e existe quem simplesmente não faça questão de encontrá-la. Eu quis, e resolvi me fazer feliz. Porque descobri que ninguém vai fazer isso por mim, assim como não posso fazer isso por ninguém, embora tenha tentado, e muito.
Por hoje é só.

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3 respostas para Felicidade inventada.

  1. Werther disse:

    Muito legal Aline; concordo plenamente com voce quando diz que as pessoas buscam de mais coisas que não existem fora delas mesmas. E não é engraçado saber que voce mesmo pode criar sua felicidade, mesmo em tempos escuros? É claro que tomando sempre muito cuidado com a indiferença às verdades. Mas por que temer ser feliz? Por que buscar no outro aquilo que existe em nós mesmos? Por que buscar? Por que? Seria uma necessidade de atribuir a falta a um outro alguém, culpá-lo por estar naquele humor perverso? Disso poderíamos perguntar: por que alguém escolheria a falta ao invés da felicidade? Mas aí seria outro tema… Acho que vou postar alguma coisa nesse sentido.
    Novamente, muito bem escrito moça.
    Beijoos, a gente se fala.

  2. Aline,

    Bom saber que você percebeu um detalhe muito simples no que diz respeito à felicidade: Ela independe do outro! No post anterior eu lhe disse que o se estado de espírito não me assustava, pois em algum momento a sua abstração lhe levaria ao autoconhecimento. E isso realmente aconteceu! Às vezes um mergulho na alma é extremamente importante, pois só a partir disso conseguimos fazer àquela faxina necessária ao espírito, que nos ajuda a separar o bom e o ruim dos sentimentos. E com o tempo a gente enxerga do lado de dentro, tudo àquilo que a gente supõe existir somente do lado de fora. Que o que nosso caminho é nosso e nada nem ninguém consegue nos manter longe dele por muito tempo. Lembra que eu escrevi isso? Pois é… Siga a rota que o seu coração traçou para encontrar a verdadeira felicidade: Àquela que provém da alma e só depende de você!

    Obs.: Não sei se seria uma boa psicóloga, mas sou Filósofa por formação, o que já é meio caminho andado (rsss). De uma coisa eu tenho certeza: Tenho uma forte atração pela natureza humana e a gênese dos sentimentos.

    Bjs. carinhosos e parabéns pelo texto sempre muito bem escrito.

    Erica

  3. Vanessa Cony disse:

    Aline! Estou profundamente feliz por vc.Interessante como as palavras aproximam pessoas que fisicamente se encontram distantes.
    Sabe aquela preocupação que lhe falei um tempo atrás?Parece que hoje consegui me tranquilizar.
    Querida menina,muitas serão as suas descobertas ,mas essa sem dúvida terá importância vital na sua vida. A alegria está em viver sua própria vida com toda a riqueza que ela pode te proporcionar.
    Beijo no seu coração lindamente inspirado.

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