A plenos pulmões.

Já disse Clarice Lispector:
“Porque há o direito ao grito,
então eu grito!”.

Cansei! Cheguei ao ápice da minha cólera!
Não consigo mais fingir que não vejo toda essa inconveniência, esse enorme avesso que as pessoas insistem em chamar de vida.
Estou vivendo um apocalipse zumbi! A grande maioria das pessoas está morta e não sabe! Vagando apenas em busca de satisfazer necessidades básicas, devorando uns aos outros, mutilando-se sem sinal de remorso. Masoquistas!
Acham que viver é gastar o máximo do próprio corpo e de seus recursos, que aproveitar é cometer todas as espécies de barbarias e atrocidades antes da morte (física). E quem vive é com charlatanismo, enganando a si próprio e a todos ao redor, sem saber, vivendo uma vida medíocre de conquistas supérfluas, sempre na superfície de si mesmo e achando que isso é ser feliz. Nunca ousam aprofundar em seu espírito.
Não sabem valorizar o que é sincero, menosprezam as pequenas coisas, se alimentam de raiva, remorso, rancor, e tudo o que é podre! Não sabem se perdoar e acham que têm o direito de transmitir a culpa a outrem! Chamam de amor um desejo leviano que muitas vezes morre depois de consumado, e o amor de verdade permanece ignorado, por sua simplicidade. Estou com aversão à humanidade!
Em pensar que quase me tornei um deles, zumbi! Quase permiti que essas hordas de carnes ocas me contaminassem. NÃO! Eu não vou ser igual! Recuso-me! Não vou permitir que devorem meu coração, meu espírito! Não vou embrutecer!
Que seja misantropia, mas já não tenho paciência com as pessoas, não tenho apreço por elas e, muitas vezes, prefiro não sair de casa. Sinto minhas forças se esvaírem diante do vazio de suas palavras, como se sugassem para o vácuo de suas “almas” tudo o que me pertence. Meu Deus, acho que estou perdendo as esperanças! Sempre tive meus momentos de antipatia social, mas hoje isso me domina! Não consigo me manter imparcial, tenho vontade de feri-los, e por isso me isolo.
Isolo-me com minhas palavras, por que elas não vão me devorar! Sou solitária e não adianta usar isso contra mim, pois nunca será uma ofensa. Sou solitária por que quero ser completa; sou solitária por que ainda tenho a mim mesma. Zumbis não suportam a solidão, pois não sobreviveriam, precisam da coletividade para serem fortes.
Não suporto mais esses paradigmas, esse cárcere social, essa cegueira! Estou farta dessa hipocrisia! Dessa doença contagiosa que as pessoas transmitem umas as outras em juras de amor eterno. Blasfêmias! A maioria delas nem sabe o que é amor, não ama nem a si próprio por que não se respeita! Como ousam pensar que amam alguém? Só precisam desse alguém pra satisfazer alguma necessidade pessoal. Amam as coisas e usam as pessoas.
Não sabem ouvir o coração – se é quem possuem um. Agem por instinto, como na era jurássica e se dizem evoluídos, maduros. Animais! Falam de razão quando em seus olhos não há nem o brilho da lucidez. Pessoas de verdade estão em extinção!
Não sou nem nunca fui religiosa, mas com certeza nunca houve verdade maior do que nestas palavras: “Perdoai-os, eles não sabem o que fazem”.
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Não, não estou em clima natalino.
Estou um pouco revoltada, enjoada. Como disse Clarice: “Às vezes me dá enjôo de gente. Depois passa e fico de novo toda curiosa e atenta. E é só”.
E eu digo de uma maneira geral, em massa, falo da sociedade, da humanidade, generalizo, não estou falando de uns ou de outros.
Tempos de cólera.

Enfim, eu também precisava parar -definitivamente- de escrever sobre coisas que não valem a pena, que não fazem a menor diferença. Precisava parar de gastar minhas melhores palavras  e sentimentos com coisas que jamais mudarão, amor de verdade vai ser sempre desprezado, por que há quem se contente com amores genéricos. Paciência.
Acho que desviei o sentido do meu blog.
Preciso realmente parar de ser tão burra.

Ah, e viva Clarice Lispector! 33 anos de sua morte. E amanhã seriam 90 anos.
Grande mestra.

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5 respostas para A plenos pulmões.

  1. Aline,

    Às vezes os sentimentos se misturam mesmo… E nem todos os dias são favoráveis ao entendimento. E essa misantropia, essa aversão à humanidade e ao convívio social é sazonal. Já me senti assim inúmeras vezes e sobrevivi às tempestades. Manter-se distante, abstrair-se é um ótimo exercício para o autoconhecimento. Considero tudo isso muito natural e, embora pareça contraditório, afirmo sem medo, que esse estado de espírito é privilégio de poucos. Só pessoas extremamente sensíveis são capazes de identificar o bom e o ruim dos sentimentos. E verdade seja dita, não dá para ser bondoso, generoso e amoroso o tempo todo… Tudo precisa do seu contrário! E a catarse é um ótimo método. Quanto ao resto, tempo se encarrega de fazer tudo passar. Se não passa, ao menos atenua esse turbilhão de questionamentos.

    Bjs. carinhosos e paz!

  2. Vanessa Cony disse:

    Nem sempre estaremos em sintonias semelhantes.São os encontros e desencontros.Haverá o momento onde essa sensação irá lhe parecer mais amena…
    Assim é.Acredito que tudo funciona para que possamos adquirirmos alguma coisa.
    Quanto aos que se contentam com amores genéricos,lamentamos.Mas definitivamente não acho que tudo que escreveu seja indiferente…O que importa é que você não se contente com nenhum tipo de amor que não esteja a altura dos seus próprios sentimentos.
    Beijo querida Aline.

  3. Vanessa Cony disse:

    Meu Deus!! Desculpe,¨para que possamos adquirir…¨

  4. ANDRÉ IUJI disse:

    Suas inquietações são admiráveis.. pois tornam suas palavras amargas expressas em doces sons aos ouvidos de quem tem o desejo de descobrir seu coração e de aprender a te amar! Tem MSN? 😀

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