Sobre saudade e as saudades…

Há todo tipo de saudade nesse mundo, há saudades do que foi; do que não foi; do que virá; do que nunca será. Há saudades pequenas, médias, grandes, gigantes, insustentáveis.
Há saudade de tudo e de nada, há sempre saudades…
Talvez este seja o maior dos sentimentos, o predominante. Sim, porque o amor, quanto maior, sempre traz ou deixa saudades… Tudo o que vem e que vai; que não vai; que é ou não é; ou deixou de ser, tudo, tudo se faz saudade.
Todos os sentimentos se unem por ela, todas as emoções acabam se fundindo a ela.
É onde tudo começa e termina, mas nunca acaba.
Não há uma só pessoa neste mundo da qual pelo menos metade não seja saudade. Porque há sempre alguém que se foi; um sonho que não se concretizou; um perfume que não se encontra mais; um lugar que não mais existe; palavras que não serão mais ditas nem ouvidas. Há sempre um olhar que se perdeu; um tempo que não volta ou que não chega; mãos que nunca mais se encontrarão; lábios que não sorriram. Há sempre uma comida que ninguém mais soube fazer igual; um beijo que não mais provará; um abraço que não recebe há séculos; um presente que sumiu na mudança; um amigo virtual que perdeu contato; brincadeiras de infância; a rua onde nasceu; a casa; a família que mora longe; o namorado que estuda fora; os amigos que se mudaram; a escola; a faculdade; o primeiro emprego; o cachorro; o amigo imaginário…
Há sempre saudades! De todos os tipos e tamanhos, de todos os gêneros, números e graus! Há saudades nas coisas mais simples e complexas, nas óbvias e ilógicas, há saudades conscientes e inconscientes, há saudades que carregamos, outras que arrastamos, algumas guardamos, outras disfarçamos, mas muitas ainda estão por vir.
As saudades são muitas, inúmeras! Da primeira, segunda e terceira pessoa, do singular e do plural, do pretérito perfeito ou mais que perfeito, do presente ou futuro, do futuro do pretérito e até do infinitivo.
Muitas são diferentes, outras aferentes, algumas se fundem, outras se confundem, certas saudades se contradizem, outras nada dizem. Mas todas elas doem, doeram ou doerão. E nenhuma, eu disse nenhuma, tem solução.
Saudade é incurável, inconsolável, irremediável!
Ah, a saudade e as saudades… Tem milhões de começos, mas nunca um fim.

…………………………………………………………………………………………………………………………………

” […]
Dóem essas saudades todas.

Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama. Saudade da pele, do cheiro, dos beijos. Saudade da presença, e até da ausência consentida. Você podia ficar na sala e ele no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá. Você podia ir para o aeroporto e ele para o dentista, mas sabiam-se onde. Você podia ficar o dia sem vê-lo, ele o dia sem vê-la, mas sabiam-se amanhã. Mas quando o amor de um acaba, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.
Saudade é não saber. Não saber mais se ele continua se gripando no inverno. Não saber mais se ela continua clareando o cabelo. Não saber se ele ainda usa a camisa que você deu. Não saber se ela foi na consulta com o dermatologista como prometeu. Não saber se ele tem comido frango de padaria, se ela tem assistido as aulas de inglês, se ele aprendeu a entrar na Internet, se ela aprendeu a estacionar entre dois carros, se ele continua fumando Carlton, se ela continua preferindo Pepsi, se ele continua sorrindo, se ela continua dançando, se ele continua pescando, se ela continua lhe amando.
Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.”
Martha Medeiros

♪ Essa saudade eu sei de cor…

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3 respostas para Sobre saudade e as saudades…

  1. Fernando disse:

    “Não há uma só pessoa neste mundo da qual pelo menos metade não seja saudade. ”
    Eu sou o que então, porra? Eu mal sinto saudade da minha mãe quando to fora de casa, não sou de sentir saudade de quase nada, acho que eu sinto saudade uma vez por ano e olhe lá. Pior, tem muita coisa que, mesmo boa, não quero me lembrar, não quero reviver, não quero que aconteça de novo. Gosto do presente, gosto de entrar num futuro diferente, e não do repeteco. Aliás, é claro que amo uma boa rotina pra manter a vida mais fácil enquanto você se preocupa com o difícil, mas até a rotina tem que mudar e eu não sinto saudade da velha rotina. Quem sabe um dia, quando velho, a saudade me tome, mas por enquanto sua frase está errada e eu sou prova vivo disso. Ou eu não sou pessoa e to confundindo a definição xP uahhauhuaha….

  2. Olá!
    Olha eu aqui novamente… Lendo o seu texto me dei conta de que eu sou toda saudade. A agonia sem sentido, que às vezes corrói o meu espírito, se chama nostalgia. E essa tal de nostalgia, nada mais é do que a saudade daquilo que foi e hoje não é mais.
    Perfeitas suas definições sobre esse bicho que ás vezes corrói a gente por dentro.
    Obrigada pela sua visita no meu desordenado universo! Que bom saber que os textos trazem paz!
    Bjks e até breve.

  3. Rafael Rabelo disse:

    Saudade é o mal do mundo, sempre foi xD

    É o sentimento mais arrasador e destrutivo, sei lidar com tristeza, com sofrimento, com toda a sorte de sentimento ruim, mas a saudade… Ela não tem jeito.

    Principalmente se vc for sensivel e sentir saudade de tudo. Sei lá, tudo te fere de uma certa maneira. As coisas sempre mudam e vc fica feliz por isso, mas sei lá… Você sente saudade dos velhos tempos. Mesmo que não fossem tããão bons.

    Se vc for mestre da saudade e sentir saudade das coisas que nunca viu. Vish. Ae ferra tudo.

    Belo texto \o/

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