A Gaveta das Obsolescências.

Às vezes recordo-me atitudes e posturas –que tive- em curioso tom de sépia, como quem recorda um filme de época ou admira um retrato de outras décadas. O mesmo se dá com certos costumes, certos padrões e sentimentos.
Sinto como se houvesse uma grande gaveta do tempo em que, pouco a pouco, vai-se despejando o que não mais se usa, como é feito com a roupa que não serve mais, ou o brinquedo que não acompanhou a idade. A diferença é que, o que guardo na gaveta do tempo, não se pode ser doado ou passado à diante, tão somente pelo fato de que, tudo ali escreve as linhas da minha identidade.
Ninguém consegue se livrar do que ficou na gaveta, porque são vestígios de si. Ao contrário do que pode parecer, tudo o que fui e fiz, prossegue em mim, de alguma maneira, isso é história. Tudo o que hoje é, um dia foi, e a ligação que há é intrínseca, quiçá, perpétua. Com isso, penso que, tudo o que “é”, tornar-se-á “foi” um dia, e mesmo assim, continuará sendo…
Curioso é que cada um tem o seu tempo de guardar seus pertences na gaveta, cada um por motivos diferentes, de maneiras diferentes, de acordo com sua vivência, suas experiências, suas essências. É como se vivesse um Zeitgeist dentro de cada pessoa, responsável por todos os ciclos de suas vidas, indicando o que não serve mais e o que será preciso, ao fim (e começo) de cada ciclo.
Nota-se que não me refiro a lembranças de situações ou momentos vividos, não me refiro a lembrança qualquer! Refiro-me a partes de nós mesmos que, por força maior do tempo, tornam-se obsoletas.
Ah, e quanto de nós deixamos de usar! Tantas coisas frágeis que não suportam a brutalidade dos dias que passam… A inocência; a pureza; a sinceridade; a simplicidade; a ingenuidade; a serenidade; a paz; o romantismo; a cordialidade; a confiança; a simpatia; a afeição; a delicadeza; a poesia; o amor…
Também é bem verdade que muitas das vezes, abandonamos a nossa brutalidade e as nossas partes mais rústicas e passamos a lapidar nosso ser, nessas horas despejamos na gaveta a raiva; a intolerância; o egoísmo; a ignorância; o ódio; a vingança; a impaciência; a melancolia; a mágoa…
Desta forma encerramos e iniciamos novas Eras em nosso ser, constantemente, ao passo em que nosso Zeitgeist ordena certos costumes à obsolescer. Nos renovamos cada instante em que abrimos e fechamos a gaveta.
Mas é perturbador saber que, nem sempre essa renovação é sinônimo de evolução. Há quem deixe para trás partes tão essenciais que termina por atrasar a própria alma, perdendo-se de si mesmo, de seu próprio tempo.
Por isso chego a acreditar que, essa talvez seja uma de nossas maiores responsabilidades, saber o momento exato em que devemos fazer reformas íntimas e guardar o que não nos serve mais, saber distinguir o que não serve mais, saber por que não serve mais.
Há mais de nós na gaveta das obsolescências do que podemos supor…

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Primeiro post, que emoção! Graças ao padrinho mágico O Trovador fui convencida a criar este blog!
Demorou, mas finalmente está feito! Só quero dizer que, não sou nenhuma conhecedora de html e afins, e o wordpress é mais complicado do que pensei, portanto eu fiz apenas o básico do básico e ainda tive que usar a criatividade para inventar coisas que eu não sabia como fazer! Vou aprendendo com o tempo a quem sabe deixar o blog mais receptivo.
Mas até que gostei do primeiro resultado! Ficou bem a minha cara ^^
E o post acaba de sair do forno, quentinho! Esse texto eu fiz especialmente para a primeira postagem… Tenho mil coisas pra colocar aqui e já poderia ter inaugurado há alguns dias, mas queria algo mais específico para abrir! Enfim, está aí!
Achei que ficou bom, embora já tenha escrito melhores. 

Espero que eu também sirva de inspiração pra algumas pessoas, assim como tenho minhas inspirações, blogs que sempre acompanho, embora os autores e autoras nem saibam. Agora somos amigos de “profissão”, rs!

 

Em breve colocarei mais coisas minhas e também alguns textos de autores que eu gosto, tenho bastante coisa separada! Este é só o primeiro passo.
Por hoje é só. Até breve! *;
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2 respostas para A Gaveta das Obsolescências.

  1. Rafael Rabelo disse:

    Aeeee

    Finalmente 😀

    Depois de meses (mesmo), ela finalmente publica seu primeiro post… Épico mesmo!

    Pow, vc fala que vai mudar umas coisas e talz, mas porra. Já tá muito melhor que o meu agora 😄

    Gostei muito do texto, ficou bem escrito e o tema dele ficou perfeito. Coube como uma luva de pelica 😛

    Todos temos nossas partes obsoletas, e alguns só jogam elas fora. A maioria faz isso. Guarda pra nunca mais. Faz parte deles ainda, claro, mas virou história não escrita.
    Acho que eu nunca te contei isso, mas o obseleto me atrai muito. Sempre atraiu. Eu nunca fui dado a modernismos…
    Vc deve ter suspeitado, Trovador, Romantismo, Rock anos 80, eletrônica… Basicamente coisas obsoletas. 😛

    Por isso, acredite quando eu digo que ficou muito bom, tanto o texto, quanto o blog.

    Parabéns Jovem Padawan!

    Fico orgulhoso por mim e por vc 😄

    Keep me reading!

    :*

  2. Fernando disse:

    Eu li Zangief! xP

    Não tenho nenhum comentário construtivo sobre o assunto… e para sua felicidade nenhum destrutivo tb xD

    Gostei da cara do blog! Acho q vou visitar mais vezes… qual vai ser sua frequencia de postagem?

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